Retalhos Imortais do SerAfim - Oswald de Andrade Nada Sabia de Mim


17/10/2006


Corte
Régis Antônio Coimbra 17/10/2006, para Artur Gomes

Arde em mim essa ferida comum
Que em ti sangra quando não vingam
Nossas ânsias numa nova vida

Aliás... não façamos hoje sexo
Apenas sacanagem ou amor
Sem vingança ou reprodução

Deixemos para outro dia o legado
De nossas misérias, paixões e vícios
Determinados pelo corte da seleção natural


Devo confessar que essa imagem do "arde/doi/sofre... (ou algo assim) em mim essa ferida/corte... que sangra em ti" eu já usei em um ou dois outros poemas. Mas acho que posso me auto-plagiar, hehe...

Ao ler, hoje, com mais atenção o teu poema, ocorreu-me de "responder"-te com essa releitura de teu poema e dessa figura. A coisa do "legado de nossas misérias" é do Machado de Assis, em seu personagem "Brás Cubas" (com o qual muito me identifico). E a "seleção natural" e outros detalhes evocam um pouco o Augusto dos Anjos.

Escrito por lady gumes às 18h41
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artur gomes e roberta cainelli - musa do poema toda nudez não será castigada

Escrito por lady gumes às 18h15
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A Traição do Lirismo
Dalila Teles Veras

Artur Gomes, feito gume, é máquina devoradora do mundo. Mastiga coisas, afetos, pessoas, rumina e afia os elementos em sua navalha verbal e os transforma na mais pura poesia. Dono de uma criatividade em permanente ebulição, hábil no verbo e na disposição visual do mesmo no espaço do suporte - papel ou pano - bandeira a gotejar palavra que, não raro, é também palco e gesto, (in)cenação a complementar e enriquecer o que a palavra muda já disse, a dizer outra coisa que é também a mesma coisa: poesia.

Poeta em tempo integral, como poucos ousaram ser, Artur Gomes constrói, sem pressa (os anos não parecem pesar - na carne nem no espírito) a sua delirante e criativa poesia, colagem da colagem da colagem, (re)encarnação mais do que perfeita da antropofagia como nem mesmo o velho Serafim sonhou. Nada, absolutamente nada escapa à sua devastadora e permanente passagem, andarilho de poderosa voz a evangelizar para a poesia.

Este Brazilírica Pereira: A Traição das Metáforas é a continuação de um enredo de há muito ensaiado. Seus atrevidos personagens já apareciam em Vinte Poemas com Gosto de JardiNÓpolis & Uma Canção com Sabor de Campos. Legítimas apropriações retiradas de suas viagens brazílicas, figuras que a sua generosidade literária faz questão de homenagear. Na passarela poética de Artur, tanto podem desfilar Mallarmé, Faustino, Dalí, Oswald, Baudelaire, Drummond, Pound, Ana Cristina César e o sempre lembrado mestre Uilcon Pereira, a quem o novo livro é dedicado, como personagens anônimos encontrados nas quebradas do mundaréu, além dos amigos, objeto constante de sua poesia. Neste caldeirão, “olho gótico TVendo”, entra até um despudorado acróstico, rimas milionárias em permanente celebração. O poeta Artur, disfarçado de concreto, celebra descaradamente a amizade e o lirismo e ri-se de quem tenta classificá-lo. Evoé, Artur!

 

Escrito por lady gumes às 18h12
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